quarta-feira, 15 de junho de 2016

Brasil Negreiro

A escravidão no Brasil durou 350 anos. Quatro milhões de africanos, cerca de 37% dos escravos de todo território americano aportaram ao Brasil.

Podemos observar essa quantidade de negros que adentraram no país. Olhe para sua família e perceberá essa influencia, na música, religião e dança.

Dados do IBGE de 2014 mostram que 54% da população brasileira são compostas de negros. Mesmo assim, desta mesma população negra, apenas 17% são os mais ricos e 76% dos mais pobres são negros.

Poderíamos ficar aqui dando vários dados numéricos que mostram claramente a desigualdade social entre brancos e negros. Não é esse o caso. O que quero falar aqui hoje é do nosso racismo acomodado.

Por que acomodado? Observem amigos leitores. Com 54% da população do país composta de negros, deveria ser natural vermos uma maior representação de negros em várias posições na sociedade.

Heróis no cinema, na televisão, presidentes da república, senadores, governadores, ministros, em fim não nos incomodamos com essa ausência. Por isto chamo de racismo acomodado.

O Brasil transformou senzalas em favelas; tronco em cadeias; casas grandes em ipanemas, copacabanas ou morumbis e capitãs do mato em  policiais militares. Se você não consegue ver isso - amigo e amiga - sua visão está acomodada.

Tivemos apenas um presidente negro: Nilo Procópio Peçanha de 1909 a 1910. Isso em mais de 100 anos de república. Apenas três ministros do supremo desde 1829: Pedro Lessa, Hermenegildo de Barro e Joaquim Barbosa; isso é ou não é um racismo cômodo?

Repito o número. É necessário. Com 54% da população brasileira sendo negra, ao aceitarmos essa “branquitude” incomoda formadora de opinião e ocupando os principais cargos do país, somos sim, racistas cômodos.

Esse texto é reflexo dessa comodidade coletiva que tem gerado em mim uma grande inquietação. Busque, pesquise e incomode-se também com essa situação. Isso não é normal.

Aj Tolissano 11#06#16

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