Desligaram as luzes, logo a minha também. Virei os olhos ao teto e chorei. Podia ouvir gotas de chuva ao bater no telhado, fortes, e ficava imaginando elas escorrendo das nuvens assim como minhas lagrimas o faziam ao entrar em contato com os lençóis. Faziam uma trilha, mapas de rios no canto de meus olhos, estes rios que nasciam do amor e desembocavam nas maiores profundezas de viv’alma solitária. No momento era eu.
Fechei os olhos. Por instante te vi à porta. Era ti mesmo? Fixei as pupilas como quem não acreditava. Pôs a mão na maçaneta e fechou a porta. Vagou lentamente até o pé da cama, quando sentou-se e perguntou: “Você me ama?”. O som da questão soou por meus tímpanos com ondas que se transmutaram em outra pergunta: “Você me quer?”. Eu disse sim. Repeti e repeti novamente. Eu continuei deitada ali enquanto o via tocar meu pé, logo minha panturrilha, minha coxa, então me tomara por inteiro.
Tudo ao redor era preto e branco
Diferentes cinzas em nuance
Mas tu eras diferente
Havia algo belo em você
Tu eras reluzente vermelho
Reluzente tão cintilante
Refletindo tão belo romance
Ao toque doce de nossos semblantes
Como se houvesse em minh’alma um espelho
Que rodeado de diamantes
Sobre ti, só me ajoelho,
Pedindo que sejamos amantes.
Você era meu cobertor, meu travesseiro, minha cama, minhas lágrimas.
Tudo era esmaltado em amor,
Rodeado por teu calor
Que, bem quente
Fazia da minha dor
Suave perfume em vapor.
Quando uma forte luz quase fere meus olhos. Abri-os. Já era dia e os raios de sol entravam janela adentro. Tudo estava claro, nada mais era preto e branco. Então percebo que você não era mais meu travesseiro, sequer o cobertor ou a cama. Embaixo de mim havia apenas um lençol molhado, salgado. Você fora, a ilusão fora. Nada passara de um sonho inacabado.
Lisa Stér Cöy
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1 comentários!:
Delícia de texto, li num gole só.
Adorei!
Doces besos!!
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