
Pra ti Florbela
pra ti
única como ser humano vitral (a quem não ouso imitar, mas da qual não posso evitar me embriagar)
Missing (Carta-bruta) para Apócrifo
Uma quantidade imensa de barro pra moldar
em meio ao nada Uma quantidade enorme assume forma pra logo então ver-se diluir sob a chuva dos desencantos
Narciso espaço para meia dúzia e outrora deixado pra NinguéM
Incontáveis poemas pra tecer e se esquecer numa orgia de silêncios
Melodias em cascata afogam-TE
Suplantar Saudade que invade carne, sangue, tombado convés de ensaios
Do peito antigo
Em perigo, sempre em risco por seu desistir do apego ver-se em fracasso
Saudade indigna Que teima em ficar retida no tempo como tinta descascada na parede
Sem viço, rachada e velha
Sem função, porém aparente
inexoráveis cicatrizes
Um barco no horizonte
leva OS mensageiros
que flutuam sobre corredeiras de dor em ondas
Deixai que eles (poetas) sentem-se á roda como distintos
e abomináveis amantes incuráveis com suas chamas no olhar
Não vos ofereçam a dádiva do consolo Vão enquanto navegam ou acendem fogueiras
A dor é bruta
E por assim ser é pura e por vezes desejável
E assim também nascem poemas
Seu caráter lírico não os fazem menos desesperados e loucos
na contramão da lógica
Ah!!Se os pés de Florbela aqui estivessem
Ao seu lado caminharia em silêncio
Tragando a cumplicidade tão doída em seu sentir
Seu aperto de mão denunciaria que por vezes ser tomado como louco é apenas estar concentrado e despido das máscaras de normalidade
Tênue linha que nos separam da lucidez
Pra descobrirmos que não se oferece carona para as estrelas
Se não se sabe a quem e nem como amar
Não se ferem árvores sem nos ter concedido o provar dos frutos
raízes tem promessas, mas não contém sabores...
Ah!
Florbela se aqui estivesses
Comunicar-lhe-ia a breve intenção de incinerar os dedos e as idéias
Pra dançar livremente sobre um campo de Lírios e violetas!
Extasiante e salvífico
Antídoto contra a crueldade!
Florbela diria
como é duro e fundo
Contemplar a ausência de tua imagem
Como quem espera encontrar a peça perdida desencaixada de um mosaico
Que não está lá
mas que de forma crua e nua
parece brilhar!
Exúvia Hannar (baú 2005)
foto: Florbela Espanca By Botelho
trilha pra revisão: Fake plastics tree (Radiohead)&Missing (Vangelis)
matériabruta: www.fotolog.com/poemista
& www.insignare.blogspot