segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Amanhã? Ou será hoje?



Ao vento farei continência
quando não mais poderá responder
e por consequência
quem sabe por nossa demência
não haja mais razão
ou qualquer conexão
que nos faça tecer ordem
que nos faça tecer progresso.

Tendências serão massacradas
a tendência é ser massacrado
nossa moda: vestir trapos
mas só pra quem puder usar
pois até na fossa ou no bueiro
ainda terá gente em farrapos
querendo ser melhor que você
zombando do próprio cheiro.

Trocaremos dedos por sacas de arroz
e filhos por fatias de pão
poderemos cair, agonizar e morrer
mas ninguém estenderá a mão
pois terá medo que você a arranque
pois terá medo que você a jante
ou até mesmo faça um bibelô
um troféu a mais, uma morte na estante.

Quando ao vento tentarmos responder
não mais haverá quem o acorde
pois o medo da falta
e o almejo do excesso
fez-se sufocar o próprio peito
pouco a pouco falecer
e quando algum ser quiser novamente ser
não haverá mas jeito.

Lisa Stér Cöy
www.lisastercoy.com
www.muquifodeletras.blogspot.com

sábado, 30 de janeiro de 2010

Cadillac flamingo 1960


Cadillac Flamingo 1960
antes de partir
A certeza era de que Suas flores cresceriam num vaso rachado
Não importa qual direção tomasse em seu cadillac velho e manchado
Por trás de tantas sentenças
Haviam aquelas malditas
E amargas daninhas ervas de heranças-palavras

Cresceriam flores espinhosas em seu vaso-mundo
Divididas
Condenadas

Ela sempre me dizia não se importar
em usar o mesmo vestido imaginado
sua marca na estrada
o mesmo perfume de fragrância violeta doce e obscurecida
haveria um leilão de suas memórias
quadros ,garrafas vazias e maquiagem poeirenta por trás daqueles olhares ardidos
suas memórias mais caras ou graves se cruzavam num mapa em que as setas fugiam do leste para o sul
e ela aguentaria firme
enquanto houvesse a beira do caminho
o carinho de um anjo ou andarilhos
por fora bem trajados
selados com seus poemas e canções –
confundindo seu coração com contradicoes de um esfarrapado violão
seria de fato mais fácil deixar a bandeira do partido por conhaque e assobios em qualquer desvio

conduzia seu volante sem pressa ou tolas promessas
não era tão óbvia e nem precisava de anéis
conduzia seu volante com olhos secos
na lembrança de um Coração vazio e hálito de café
e por certo
cresceriam flores estranhas no rastro de seu velho cadillac magenta e nem os ponteiros do tempo teriam efeito sobre o que ela pensava.....!


Exuvia Hannar
TALVEZ para Norma Jean.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Tô cansado.




Tô cansado de tudo isso.
Tô cansado desse mundo maldito.
Tô cansado de ser parte deste universo, o qual tanto desprezo.
Tô cansado da mulher de hoje em dia.
Não pode amar, tem que ser uma cadela , não valoriza quem lhe dá valor.
Tô cansado de charminhos, ciuminhos e outras frescuras.
Tô cansado do homem machão, que não respeita a mulher a seu lado, que trai e mente, que esconde seus sentimentos.
Tô cansado dos relacionamentos humanos, de se sobrepor ao outro, de ser cruel.
Tô cansado de tanto ouvir sobre o amor, mas de não poder vivê-lo.
Tô cansado do sexo banalizado, que importa mais que a emoção.
Tô cansado de ficar, de flertar, de foder.
Onde tudo não passa de prazer mentiroso e descartável, para ser enrolado e jogado fora.
Tô cansado de ter que estar sempre sorrindo, de não poder chorar, de não ser possível me entristecer. Tô cansado de fabricar endorfina artificial.
Em tempos em que a felicidade é montada, que me ensinam como devo proceder, pensar diferente é um pecado, um motivo para sofrer.
Tô cansado de valorizar e não ser valorizado. De orar e não ser respondido.
De ajudar e me sentir abandonado. De levantar e ser humilhado.
Tô cansado de tanto sofrer. Tô cansado de não ter motivos para viver.
De adoecer sem doença. E de ter febre na madrugada.
Meus olhos coçam e minhas mãos tremem.
Tô cansado de ver o ser humano reduzido a um animal.
Cansado de ver exemplos que não são seguidos.
Cansado da inveja e do egoísmo.
Da mentira e do cinismo.
Tô cansado de ser enganado por quem tanto confio.
De não ter o amor, que me foi proibido.
De ter medo de me relacionar. Tô cansado de não poder me casar.
Tô cansado do divórcio e dos filhos separados.
Das amigas que destroem famílias.
Da mulher cachorra, e do homem sem-vergonha.
Tô cansado de muito mais, te digo, como pode ver.
Mas resolvo parar por aqui, pois estou cansado de escrever
e não ter alguém para ler.

Talvez soubesse...

Talvez soubesse...


Talvez soubesse que iria acontecer
Talvez devesse me preparar
Talvez seja melhor assim
Ter você longe de mim
(Minha esperança)
Gostaria que fosse diferente
E a vida não tivesse que ser assim
Que tudo o que começasse, fosse eterno
E não houvesse prazo de validade
Que não se banalizassem os sentimentos
Não sou um ser instintivo
Deus me deu uma alma, para me sobrepor aos animais
O caráter fortalece e se afasta de mim
A sociedade busca,mas acaba por destruir
( o coração do homem )
Fantasia, romances de dramaturgia
Relacionamentos fictícios me afastam da dura realidade
O amor de verdade tem poder
A mansidão, o bem-estar e a segurança
Substituem a paixão , o ciúme e a loucura
Se tivesse que escolher, escolheria você
Se tivesse que perder, perderia você
O bem proporcionado é proporcionalmente igual
Ao mal adicionado
Sem que soubesses, me envolveu
Num véu de penumbra e morte
Sociedade fracassada de relacionamentos deturpados
Me ensinam como amar
A ceder a paixões passageiras
A desdenhar do amor verdadeiro, enganar-se totalmente e perder um valioso tempo
O amor é o Graal deste século
Buscamos, sem encontrar
Onde estará?
A meu lado? Ou ainda mais perto?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Margarida



            Paredes, cantos, portas, janelas. Paredes, cantos, portas, janelas. Paredes, cantos, portas, janelas. Não consigo ver além.
            Procuro e tento. É tenso. Incomodantemente tenso. Como aquele músculo que se enrijece sem motivo algum e dói. Seria boa, de fato, uma massagem. Mas não seria a solução. Sequer meus músculos têm problemas. Só queriam realmente poder se mover.
            Deslizei meus olhos para o canto direito do quarto e percebi uma flor. Uma margarida que provavelmente trouxeram enquanto eu dormia. Por que?
            Suas pétalas já não tinham o mesmo brilho, suas folhas já não eram tão verdes, seu caule já não tinha mais vida. Ou seja, ela já não viveria. Como um corpo que, jogado à mercê, apodreceria aos poucos até que não conseguissem mais viver com sua aparência e fetidez. Sua invalidez.
            Um dia os olhos de todos se cansarão daquela mesma margarida. De mim. Margarida. E procurarão por uma Violeta, ou Girassol, ou Orquídea, ou Rosa. Pois os olhos se cansam, sempre, não é?
            Mas quando meus olhos cansarem, já não estarei aqui, pois prefiro que descansem.


Lisa Stér Cöy
(10/01/10 – 22:21h)
www.lisastercoy.com
www.muquifodeletras.blogspot.com




sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Limboterapia


Ismália Bublegum a entoar
Licor de anis me conduz em sonho
Panos brancos e Oxigênio lilás já não angustiam
Fazendo companhia a
Chuva que raia por cima dessas estranhas estações que são surpresas melódicas
As sensações que surgem das minhas sementes
Soam pueris soam surreais
Rosa dos ventos multicolorida que com teus pranto e encantos me pões a rodar próximo ao que quero encontrar
Mesmo quando não há como com o corpo tocar

Eu me insinuo sob tua tenda e estaca
Passo semanas de milhares tempos a te perscrutar
Sim falo de ti
Sim são estas benditas notas melodias que me fazem implorar estar no meio da roda
Eu espio Do s e Fa s
Que Fazem de minha garganta um corredor que gira sem parar
Atraem pra dentro de mim céu e mar

Partituras gangorras e festas
Fazem de minha garganta um paiol a queimar

Eu respiro o Mi entregando minhas vestes ao La
E se não puder ser dessa maneira
Nada mais que seja sonho me atraíra ao céu e mar
E as canções q me tecem são nuvens passagens
Que nas sombras me segredam a saudade
Do lugar aonde meu coração não vive sem compor ou cantar
Usando minha pele minhas trilhas
Sondando sedenta a recordação dos inconfessáveis misterios que suplicam em teu olhar.

Exuvia Hannar em um brinde aos 6 anos de sucesso do Uma noite na Taverna
trilha:
Beirut/Elephant gun

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cadeia Alimentar



Teu corpo treme e transpira em calafrios,
Teu sangue está temperado para o banquete,
Eles estão às tuas costas a seguir seu aroma,
Corra, pule os muros, arme-se e esconda-se,
Não deixe que eles lhe peguem, corra!

Na noite a sede aplaca os famintos,
Tu és a presa, eles os caçadores,
Não deixes tua vida escapar do corpo,
Fujas enquanto pode, combata teu inimigo,
O terror e mistério lhe caçam.

São bestas de sede insaciável, malditos!
A gula implacável de imortais noturnos,
Corra dos sanguessugas que lhe farejam,
Vidas humanas são teu alimento.

A existência frágil contra existência trágica,
A sentença mortal contra a sentença eterna,
Humanos e vampiros, duelo de dois monstros,
Resolução de apenas mais uma cadeia alimentar.

Eis a cadeia alimentar: mais um vivo saciou um vampiro.


- Mensageiro Obscuro.
Fevereiro/2007.

Foto: Conde Stradh por Clyde Caldwell.
Página do artista: http://www.clydecaldwell.com

sábado, 2 de janeiro de 2010

A PROFUNDIDADE DA MÚSICA MINHA EGÜINHA POCOTÓ

ANÁLISE DA LETRA DA MÚSICA MINHA EGÜINHA POCOTÓ
Prof. Vantuil G. dos Santos

Ao ouvir esta linda melodia, acompanhada de sua profunda mensagem, do eminente poeta Serginho, pude perceber o âmago da mensagem deste grande enviado para nossa sofrida e carente sociedade, no ocaso de sua civilização.
Pude hoje, escrever reflexivamente sobre mensagem desta poesia e procurando me redimir do erro cometido em não ter divulgado a essência deste clássico, pelo que o faço, agora, pedindo senões aos meus leitores, privando-os desta final flor de nossa literatura.
Infelizmente não escrevo e nem leio o clássico inglês do Serginho, assim sendo, o leitor irá perder o registro da eloqüência do inglês shakeasperiano deste profícuo escritor em sua introdução.
No entanto, para o bem da cultura nacional, deixo registrado o lindo poema de tão linda melodia que, infelizmente, não poderá ser ouvida. A letra por si só já nos fala muito.
“Vou mandando um beijinho
Pra filhinha e prá vovó
Só não posso esquecer da minha egüinha Pocotó.
Pocotó
Pocotó
Pocotó
Minha egüinha Pocotó (bis)

O jumento e o cavalinho
Eles nunca andam só
Quando sai pra passear
Levam uma égua
Pocotó
Pocotó
Pocotó
Minha egüinha Pocotó”

Por favor não critique. Não seja superficial. Veja a profundidade socrática desta mensagem. Passo a exigir inclusive a canonicidade desta letra.
Imediatamente podemos constatar a integração que, de maneira magistral, ele consegue fazer entre os elementos constitutivos da natureza. De uma maneira sublime ele proclama seus ouvintes a conviverem com o meio ambiente. Claro que isto está nas entrelinhas quando o mesmo manda um “beijinho pra filhinha e pra vovó” e também “pra minha egüinha Pocotó” . Observe que ele não se esqueceu do animal. Aqui todo o cuidado é pouco! Lendo sem refletir, o leitor poderá cair no erro ao pensar que Serginho quis comparar a vovó com a egüinha. Não, absolutamente não! Ele quis mostrar, isto sim, que a família não deve ser esquecer os animais, inclusive tratá-lo quando enfermar.
Mas voltemos a egüinha, ó perdão, à vovó.
A vovó e a filhinha representam o ápice da criação divina, que é o ser humano. A egüinha representa os animais que são indefesos e por extensão se aplica a toda natureza. Hoje, quando vemos o homem destruindo ou degradando o meio ambiente, constato a necessidade desta interrelação vaticinada por este profeta. O nosso poeta está na verdade, contestando e reivindicando o direito dos menos favorecidos ou mesmo àqueles que vivem à mercê dos poderosos, vivendo uma vida de animal. O carinho e cuidado que ele dispensa a egüinha é o paradoxo dos milhões de marginalizados de uma sociedade injusta em que somente as “filhinhas’ são lembradas e atingidas pelo sistema. Também ele está denunciando o contrabando descaradamente notório do comercio ilegal que fazer dos animais, rendendo milhares de dólares para seus contraventores.
Quando vejo o abandono, a comercialização, o contrabando, o extermínio e demais afrontas que fazem aos animais, ouço a voz deste verdadeiro profeta clamando por justiça.
Oh! Quanta sensibilidade, solidariedade e profundidade de argumentação.
Não é somente sob o aspecto ambiental que este profundo texto nos leva a refletir.
Passemos aos aspectos políticos.
Vejo nas entrelinhas, uma crítica feroz contra todo tipo de autoritarismo; de ditadura econômica; de governos de exceções; de privilégios e de corrupções. Se nossas autoridades tivessem uma visão clara do que se passa entre o povão e o que ocorre nas entrelinhas deste poema e melodia, com certeza esta obra prima de nosso acervo musical seria censurada e, o nosso autor seria preso. Tal como ocorreu no passado com “Pra Não Dizer Que Falei de Flores”, de Geraldo Vandré e “Apesar de Você”, de Chico Buarque e tantas outras. Não posso imaginar a lacuna que traria para a nossa cultura, se nossas autoridades apreendessem este verdadeiro hino para nossa nação. Temo com a divulgação deste pequeno comentário as classes governantes percebam que o autor está reivindicando um país que tivesse uma autêntica democracia, onde todos seriam verdadeiros cidadãos, isto é, terem o direito de dormirem com a barriga cheia e, muito menos sem os ditames de uma política econômica externa chamada Neoliberal, sob a égide de grandes potências.
A mensagem democrática está no posicionamento político do autor quando atribui a egüinha o direito de passear; de não ser esquecida; de nunca estar só. Pensemos: se entre os animais deve-se respeitar seus direitos, que dizer do ser humano. Este ser pensante, que segundo Sartre está “condenado à liberdade”?
Cremos que Serginho, devido ao seu caráter altruísta, preferiu se apresentar no diminutivo. Com este exemplo de humildade e visão, deveríamos uni-lo à galeria dos grandes homens que no passado tiveram discernimento do tempo em que viviam bem como captaram a própria inerência do ser humano, tais como Sócrates, Platão e Aristóteles, na antiguidade clássica. Nomes como S. Tomás de Aquino, Averróis, Abelardo(não confundir com Abelardo Barbosa, o Chacrinha) na Idade Média. Partindo para os tempos Modernos, teríamos uns poucos nomes que a ele se assemelharia, tais como Erasmo de Roterdã e René Descartes. Para a contemporaneidade poderíamos associar a Montesquieu, Rousseau, Voltaire Kant e uns poucos outros. No Brasil, devido a nossa pobreza, incluiria somente Machado de Assis e Carlos Drumond de Andrade. Espero que, após esta análise, a elite pensante deste país, possa reconsiderar o erro de todos nós.
Uma questão social que a genialidade do Poeta delata é a questão da propriedade privada (para os menos avisados, privada aqui, significa particular). Ele usa de forma simples, objetiva e singela: “minha eguinha”. Cremos que se deve ler com ênfase o pronome possessivo minha. O nosso poeta está defendendo um dos direitos fundamentais da democracia, que é o direito de ter, de possuir, tão bem defendido por um dos primeiros teóricos do mundo capitalista, o inglês John Locke. O grito do Serginho é o grito de uma pergunta que não quer calar: como é possível que ainda haja em nosso tempo quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde se abrigar? Num país quando um cidadão não pode ter o direito de possuir uma eguinha, “que país é esse”?
É necessário também analisar a letra em seu aspecto psicológico quando o poeta revela, ao falar carinhosamente, “minha egüinha Pocotó.” O que o eminente escritor quer dizer, é que devemos valorizar as pequenas coisas. Você já notou que um grande problema começa com a não solução das pequenas coisas. Alguém já disse que a Guerra Mundial é a coletividades dos problemas não resolvidos de cada pessoa. Serginho ao chamar “egüinha” ele valoriza as pequenas coisas. Certamente ele se inspirou no grande psicanalista Freud que, para fazer suas análises recorria à inocência de sua netinha, fazendo perguntas elementares. Quando não valorizamos os pequenos detalhes nós nos perdemos no mar de problemas que estes mesmos se acumulam. Devemos sempre nos lembrar que tropeçamos em pequenas pedras do caminho, e não em grandes pedras. Ao chamar a egüinha de minha, ele está valorizando o que todos não dão importância.
Preciso registrar que o nosso literato ao repetir Pocotó, Pocotó, Pocotó, não se trata de uma vã repetição. Ele não está só enfatizando. Na verdade ele está se utilizando de uma estratégia dos grandes mestres da humanidade, em que se utilizavam da repetição para que seus alunos assimilassem suas idéias. Com a repetição, os conceitos se consolidam, diziam.
Preciso encerrar.
O trabalho precisa continuar a ser feito por mentes mais esclarecidas que poderão ver nesta letra o que estas “mal traçadas linhas” não enxergaram.
Peço somente para não distorcer ou deturpar o que o nosso grande poeta Serginho conseguiu com tanta maestria, isto é, fazer com que o povão brasileiro conseguisse enxergar: CHIFRE EM CABEÇA DE CAVALO.
Este foi o intento do autor destas linhas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Reflexão para 2010

Muitas mensagens para 2010 já foram expostas. Muito se falou sobre ser uma pessoa melhor, buscar seus sonhos; mas algo me incomodou profundamente quando me deparei com dois textos bíblicos. Confesso que estava meditando em Miquéias 6.6-8. Fui levado para Isaías 1.11-20 que aprofundou a discussão. Gostaria de destacar uma parte de Isaías para dar a idéia do que estou querendo dizer.

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?
Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene.
As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.
Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.
Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.” Isaías 1.11-17.

Com a explosão dos neo pentecostais e o evangelho da prosperidade ficou fácil e comum ser “crente” ou “cristão” no Brasil. Esse texto que acabei de citar faz-nos refletir sobre o tipo de “cristão” que estamos “produzindo” no Brasil.
Os dois textos que citei nos deixa claro que Deus está preocupado com o ético e o moral, e não com aspectos exteriores.

É fácil observarmos em vidros de carros dizeres como “Posso tudo naquele que me fortalece” ou um que eu até rir que dizia “estou autorizado a prosperar”.
As pessoas vivem um “cristianismo” de domingo, de festas e correntes e esquecem que o verdadeiro cristianismo é vivido dia-a-dia. O cristianismo do dia-a-dia é ético e e moral.
Como posso dizer que sou cristão porque vou todo domingo a “igreja” ou sou “ministro de louvor” e no meu dia-a-dia para meu carro na vaga de um deficiente ou em fila dupla para pegar meu filho na escola.

Como a “igreja” pode ficar parada em correntes de prosperidades enquanto meninas estão se prostituindo nas esquinas e crianças morrendo vendendo bala nos sinais.

Espero que antes de traçar sonhos egoístas e capitalistas para 2010 possamos meditar nesses textos de Miquéias e Isaías e em 2010 buscar ser uma igreja mais solidária e essencialmente cristã. Feliz 2010( mais feliz como a felicidade de Tiago 1.12)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


vos

digo

uma

coisa:



VIDA!

Hey,

você aí,

o que

é a



VIDA?

o que

é


?


Lisa Stér Cöy
www.lisastercoy.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Blasée



Não busco a verdade sem sentido
Busco dar sentido a verdade que sinto
Sem querer fiéis alunos ou soldados
Pois sequer sou mestre do que é em mim
O querer de meu coração

Não subirei a montanha mais alta
A procura de ascetas ou de Zaratustra
Não me tornarei nunca um super-homem
Ou descerei com tábuas vomitando regras
Para querer ser Avatar de qualquer nação

Não me abalam as conspirações ou (des)governos
Não procuro a fórmula da Coca Cola
Ou o nome secreto de Deus nos átomos
A cura do câncer ou da calvície
Não me tornarão Barão ou mesmo herói

Não quero ser presidente ou herói de nada
Não legislo profetizo proíbo ou recomendo
O guardanapo manchado de gordura deste poema
Não guarda segredos ocultos da pedra filosofal
E não foi inspirado por anjos, caídos ou não.

O poema no guardanapo tem função e objetivo
Que não a de bálsamo ou de salva-vidas
Não é salmo ou filosofia ou canção
Nada tem a ver com minha insônia ou dor de dente
Ou com minhas esperanças e desilusões

Ainda que eu tenha subido ao palco
Que tenha rasgado o peito e mostrado as veias
E tenha gritado verdades que descobri anteontem
Conversei com poucos irmãos e abraçados choramos
A morte do inconformismo, o medo do medo da morte

"Não sou eu quem vai mudar o mundo"
É o novo mandamento universal, novo grilhão
É o fim de tudo, o buraco negro do inconsciente coletivo
E o mundo não muda mesmo e continua
Acreditando em lindas superstições estéreis

Adiarei meu suicídio com estas cartas
E nelas buscarei conforto por não ter me curvado
Ainda que o futuro me perverta o coração
Ou me seduza com seus irreality shows
Este guardanapo irá congelar esta emoção

O sol nasce no fim da Frei Caneca
As cadeiras estão viradas sobre as mesas
E eu com meu guardanapo-espelho fotografo
O movimento do mundo ensimesmado e blasée
Que não reconhece a importância de nada

Agora, no espaço final deste esboço,
Posso confessar meu único último desejo
Que desejei há menos de um minuto
Feliz... Porque talvez me tenham ouvido
Busco, em meu ofício desvairado, provocar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Controle Remoto


Carros passam velozes pelas ruas. Nas calçadas bêbados sorvem as últimas gotas de álcool e adormecem sobre papelões sujos. É sábado à noite... E sinto uma vontade de sair de casa... Ao mesmo tempo sinto uma vontade enorme de permanecer aqui, inerte, diante a essa televisão ligada. Olho toda programação televisiva com angústia e descrédito. Acendo um cigarro no escuro da sala. Na verdade eu convoco o alívio da nicotina para lutar nesta guerra que estou perdendo... Nesta guerra que inventei só para matar o tempo. Deve ser oito horas da noite e eu estou aqui ouvindo a vida me chamar do lado de fora... Alguém bem que poderia ligar pra mim nesse exato instante... Alguém que soubesse o jeito certo de abrir essa porta- quase numa alegria lembro de rostos familiares e de nomes - Ah foram tantos nomes!... Maria, Isabel, Lúcia, Isadora, Patrícia, Ângela, Elisabeth, Marcos, Edu, Paulo, Carlos, Antonio... Mas depois me lembro, amargo, que o telefone daqui de casa foi cortado há muito tempo e que a esta altura do campeonato o meu numero, com certeza, se perdeu dentro de alguma agenda abandonada em algum canto. Eu poderia gritar da janela... É eu poderia gritar a noite toda... Gritar até perder a voz... Gritar até morrer... Mas quem, na cidade, ouviria meu grito com este barulho todo de vida lá fora?Não!Eu não farei nada! Vou engolir qualquer tentativa de me comunicar com o mundo e vou continuar aqui esperando que algo, surpreendentemente, mágico surja na TV e me salve do tédio e quem sabe deste vazio que me toma como refém. No televisor aquela atriz - Qual o nome dela mesmo? – gostossíssima, que pousou nua para uma revista, contracena com um ator pederasta. Ela é realmente um espetáculo... Olhando seus movimentos leves e sensuais na cena... Fico me perguntando se eu já toquei alguma punheta pensando nela. O cara que estiver comendo esse avião, com certeza, deve ser um homem feliz... Feliz como eu não estou agora... Olho para o relógio e já são nove e trinta e cinco... Acendo outro cigarro... E angustiado, pela sede e pela ansiedade, me levanto, quase que instantaneamente, do sofá e vou até a geladeira pegar uma cerveja... Volto a tempo de ver a atriz... Beijar na boca do mocinho da novela. Ator deve ser uma profissão boa a pampa - eu penso com certa inveja. Troco de canal... E um filme antigo me chama atenção... Eu já vi este filme uns dois anos atrás mais ou menos... Ele é cruel e verdadeiro... É um drama daqueles de fazer qualquer um chorar... Tão triste quanto minha vida. Lá fora a noite corre em ritmo alucinado... Aqui dentro nada acontece... Nada exceto este vazio crescendo na velocidade das horas... E meus cigarros que estão acabando. É sábado à noite - na verdade já é quase domingo - E meu corpo implora por um pouco de calor... Minha cabeça gira entorpecida pelo sono e meu coração está vazio como uma casa sem gente... Entretanto disposto a não abandonar, sem luta, o meu ponto de observação, lentamente me acomodo no sofá mesmo... Fecho os olhos e desligo a TV com o controle remoto... Depois - um pouco antes de adormecer - peço quase que balbuciando que amanhã alguém se lembre de mim e me mande, quem sabe, ao menos uma carta só pra saber se eu ainda estou vivo.



Fabiano Silmes

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fragmentos



FRAGMENTOS

Mais uma noite que cai no Rio de Janeiro
Junto uma chuva impertinente
No ar há uma melancolia, talvez tristeza
O cheiro do asfalto quente e molhado
A velocidade dos passos aumenta
Faces anônimas misturam chuva e suor
Num ir e vir trôpego e descompassado
A luz reflete nas gotas da janela
Brincando de cores e formas em meio ao caos
As impacientes buzinas ecoam na grande avenida
Tal qual o peão acelerando o passo da boiada
Mais do que pessoas, universos paralelos
Coexistindo na mesma realidade
A água escorre se arrastando pelo meio fio
Levando consigo um pouco de tudo
A sujeira, o suor, as lágrimas...
Como uma veia aberta a sangrar
Esvaindo fragmentos de vidas que não cansam
E insistem em passar.

Vitor L. Muniz

sábado, 21 de novembro de 2009

Bonitinho Bonitinho!





Eu lhe vi, menina triste,

A esperar o príncipe encantado

Sentada na escada pro céu



E a mim, pobre bobo da corte,

Sua tristeza doeu tão no fundo

Que minha alegria também morreu



Comecei a desejar então, menina triste,

Que o seu príncipe, que não existe,

Fosse não encantado, mas eu



Eu, pobre bobo sem sorte,

Bobo da corte, bobo apaixonado

Desejava ser príncipe encantado



Só pra não lhe ver, menina triste,

Derrubar uma lágrima mais

Eu lhe amo demais, menina triste,



Mas sou apenas um bobo da corte.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Teu Doce Desespero


Vejo tu rumares à vitória e o ódio me consome,
Tristes pesadelos eu vivo com teu triunfo,
Maldita sejas! Tu que vives a usurpar.
Diabólico ser mascarado, tua máscara cairá,
Tuas lágrimas de tristeza são o mel de minha alegria,
Tuas lágrimas de derrota são o vinho de minha vitória.

Teu doce desespero é o sangue quente de minhas veias,
Tenho um prazer orgásmico quando rastejas pelas estradas,
Escancaro meu ódio a ti e espero que sofras mais.
Quero que cada erro teu seja um fel em tua língua,
Que teu sangue sujo derrame, mas não a deixem morrer.

Caminhe por espinhos e rasgue tua carne, continue viva,
Desejo o néctar mais puro de teu sangue ao chão,
Desejo-te a imortalidade para arrepender-se.
E quando arrependida ainda sofra um pouco,
Alimente minha libido exótica com tua tragédia.

Teu doce desespero será consumido bem lentamente,
Tua sentença de vida é o sofrimento puro e vagaroso,
Tua agonia é minha refeição mais elaborada e saborosa.
Iguaria que comerei devagar para que seja durável,
Especiaria minha que me enjoarei e darei ao descanso mortuário.

Teu sofrimento será a pintura que emoldurarei em minha melhor parede, eis o teu doce desespero.


- Mensageiro Obscuro.
2004.


Foto: Imagem de fonte desconhecida encontrada no Google Imagens.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bela Dama Exótica


Minha bela dama exótica,
Que prazer tê-la ao meu lado,
Suas cartas exaltaram meu peito.
Tuas mensagens intensas
Sustentaram sonhos saborosos.
Agora não estou tão sozinho,
Sua voz infantil esconde uma mulher,
Que em fortes abraços descobri.

Com linguagem mansa,
Suas palavras extasiam,
Como se nunca amasse
Nessa vida breve.

Sou detetive desvendando
Mistérios de suas curvas
E descubro suas facetas
Enquanto as horas passam.

Penso em nossa inconstância,
Busco-a entre tantos rostos.
Liberemos nossos instintos
Para viver o indefinido.


- Mensageiro Obscuro.
Abril/2005.


Foto: "Dance" por Alphonse Mucha, 1898.

sábado, 24 de outubro de 2009

Inacabado


E os poemas que tenho serão cercas vivas
ao redor e arder do tempo
A encobrir a falta de beleza nas lápides
Como conchas semi-veladas pela areia
Aguardam o vagar das ondas
para seremanunciados
Aguardam a ira retumbante do Amor,mesmo que tardio
para serem proclamados

Na infância as crianças brincam de roda
e sobre seus sonetos se põem a cantar
E eu homem maduro mevejo na roda
Que o mundo brinca
para cada traço de mim
Fazer-se revelar!!!

Exúvia Hannar
Carioca
remanescente da geração 80
Contralto
estudante de iniciação a dramaturgia
Bibliófila
quarto fruto da união entre um mineiro e uma pernambucana que se conhecerem na forja do Rio de janeiro na década de 60
antes que na cidade pairasse esta cicatriz sem charme algum chamada Conivencia politica com a violencia.

arde a esperança de mais uma tarde
com ventos
luminosidade
e versos
sem tiros
nos bastidores da Poesia.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Noticiário Urbano


Escadinha
Do morro ao asfalto
O homem e o mito
Tombam numa foto triste
Na primeira página do jornal.

Fabiano Silmes

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quem é um?

Ninguém é um!


As pessoas são fragmentos da vida

Disfarçadas pela máscara da sociedade.

As pessoas tem medo pelo medo de ter medo.


As pessoas são um, dois, três,

Cinco, oito,

E nenhum ao mesmo tempo.


A cada segundo as pessoas são influenciadas

Por pelo menos um raio de 200 metros de distância ao seu redor.


As pessoas não são nada

Pois se fossem alguma coisa

Mostrariam o nada que realmente são

E seriam realmente ninguém

Diante de todos.


Por que? ... Ninguém é um.

Seja diante de um todo vazio

Ou através de um vago cheio.


São clones de produção em série

Indeterminada, possível eterna.

Mares de CTRL-C CTRL-V.

Rios de cópias sem vontade

Nulas, cruas, frias, nuas.


As pessoas não são nada

Pois se fossem alguma coisa

Mostrariam o nada que realmente são.


Quem é um?

Ninguém!


Lisa Stér Cöy

---

www.lisastercoy.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Poesia em Luto

Em memória a Rafael Pimenta

O dia nasce envelhecido
Sobre a Marina do poeta
Nenhuma palavra se ouve
E todo gesto é uma prece.

Cobriram os olhos boca
E desejos de um homem
Mas sua voz extinta grita
Por justiça em cada verso

E que ninguém levante
Paus e pedras para guerra
Mas bandeiras brancas
Pois branca é a cor da paz

A paz de um riso eternizado.


Fabiano Silmes

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Os Três Poderes

Um certo taxista conversava com um advogado e perguntava;
_Para que serve um deputado, um Governador ou um juiz?
_Por que pergunta isso caro amigo?
_Doutor, me falaram uma vez que o deputado faz lei, o juiz executa elas e o governador organiza o estado.
_Certo caro amigo!
_Então doutor, fui fazer vistoria no meu carro. O fiscal do Detran pediu 100 reais senão meu carro não passaria no teste do gás.
_Isso é ilegal amigo!
_ Eu sei doutor, mais o fiscal do Detran é subordinado ao governador, que era para ser fiscalizado pelo deputado que era para ser condenado pelo juiz!
_Muito bem caro amigo!
_Então doutor, se nenhum deles fez isso para que serve eles então?


A história da vistoria acontece toda hora no estado do RJ, e os personagens da história fazem exatamente o enredo da história.
Não só o taxista, mais todos nós que pensamos um pouco ficamos há nos perguntar, para que serve os três poderes no Brasil?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Minimalista


Minimalista


Um anúncio incendiário surge de uma lista,
circula em classificados de jornais, internet.

“Vendo a essência mais profunda da razão:
existir!
Também tenho pensamentos e atos.”

Mas, antes de ligar, enviar correio eletrônico,
tome muito cuidado...
Observe...
Seria melhor comprar um assunto mais delicado...
Que tal esse aqui:

“Estamos sofisticando antes de despoluir.”

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Minha Culpa
(05/09, 21. 23:55h)


Já fui melhor noutras vezes
Hoje não quero mais
Não há para onde olhar
É apenas um eu, sozinho, vazio
enterrado no eco eterno de um longo corredor

Ainda pensei ser reconhecido
Demonstrar valor inerente
Atrair os olhos amigos
E, por que não, ser um bom exemplo, um total paladino

Mas vi que as ilusões são minhas
Que as minhas cobranças são injustas
Que meus amores são inalcançáveis
Que meus sentimentos são meu maior amigo
Mesmo agindo dividido

Ai, se tu pudesses ler e sentir o que sinto
Verias que tu também fazes parte disso
E não tens culpa maior do que a minha
De não ter pressentido ou lido o que aí dentro de ti está
Preferes só revelar a tua própria identidade

É triste não estar parte de ti
Mas acredite que sofro porque te considero
Parte de mim, de meu profundo ego
Sou egoísta de ti, ó meu desbravador!

Perdoa-me ser ingênuo, imbecil, enfadonho, derrotado
É que eu nunca pedi para ser um homem lendário.


DiGregório Neófito, então Renascido. Nonato e ainda neófito.

sábado, 15 de agosto de 2009

O despero de Eduard Lonthon


Para Andréia de Azevedo, Emanuel de Jesus e Fabiano Souza.

“Se buscas realmente a verdade, deves ao menos uma vez em tua vida duvidar tanto quanto possível, de todas as coisas”. (Descartes, discurso do método.)


O jovem Eduard Lonthon deu entrada no hospital psiquiátrico às dezoito horas e trinta e cinco minutos do dia 11 de setembro, apresentando com patologia nervosa: alucinações típicas da síndrome do pânico, alterações drásticas de comportamento e conduta obscena (esta, por vez, aparentava mais uma provocação gratuita do que um gesto de loucura por assim dizer). Dois enfermeiros, um deles alto com grande protuberância muscular e um outro menos corpulento, o seguravam com extrema dificuldade enquanto ele, descontrolado, vociferava impropérios contra as pessoas que esperavam na recepção do hospital. Algumas senhoras que estavam nas cadeiras próximas da porta de entrada, se afastaram às pressas, temendo a agressividade de Eduard:
_ Filhas da puta... vocês são todos filhos da puta, sabiam? Não vêem que ele está me seguindo...não vêem que a qualquer momento ele vai chegar aqui e me escravizar ? É isso que vocês querem? É isso? É?
Embora se tratasse de uma instituição psiquiátrica todos ali estavam consternados com aquele episódio e se entreolhavam atônitos.
_ O que vocês estão vendo é uma mentira...Eu sou tão real quanto um deus inventado... e ele conhece meu poder sobre os demais... por isso ele me quer como um escravo para sua tropa de mentira – continuava Eduard com o seu discurso inflamado – A cada minuto que permaneço retido pela brutalidade destes quatros braços... ele se aproxima de minha escolha e me domina como um estado usurpado.
Um homem vestido de roupas clericais se aproximou do jovem e lhe disse quase em súplica:
_ Acalme-se meu rapaz ninguém irá te ferir aqui dentro!
Por alguns momentos Lonthon ficou a olhar aquele homem de roupas pretas e de rosto ameno e logo disparou cinicamente:
_ É e quem protege aqui de si mesmo, hein, meu senhor?
_ Como assim? – Perguntou o homem de roupas clericais.
_ Sim! Isso mesmo!...você não me disse que ninguém irá me ferir aqui dentro? Pois então quem protege aqui senão os que estão aqui mesmo? - perguntou, Eduard, rindo de modo a se ouvir longe. O clérigo por vez disse num tom mais firme:
_ Ninguém irá te ferir meu jovem eu te garanto, além do mais este aqui é um hospital militar, portanto ele é vigiado, vinte quatro horas, por soldados que iram garantir a sua segurança. Eduard, um pouco mais contido, olhou o clérigo com quem dá um veredicto e disse entre os dentes:
_ Você é um tolo como os outros... ninguém irá me proteger dele... soldados não protegem ninguém... eles apenas lutam e morrem pelas idéias dos generais e estes, por vez, os interesses dos presidentes... dos embaixadores da guerra... e de tudo mais que seja alheio a mim e a você.
_ Meu filho, mas quem te persegue afinal? Um delinqüente, um desafeto? Alguém que...
_ Não você não entende... não entende, ele esta em tudo que vejo e sinto –
disse Eduard já em pranto.
O clérigo sem saber mais o que dizer... e sem a mínima vontade de continuar aquela conversa que não estava dando em nada concluiu:
_ Meu jovem daqui a pouco o médico vai te receitar alguma coisa... e amanhã você vai acordar mais calmo e tudo se resolverá.
Nisso Eduard como que possesso por um demônio, de repente retornou a sua fúria inicial:
_ Amanhã? Amanhã é o caralho... eu tenho que fugir daqui agora mesmo! Agora mesmo ouviu?
O clérigo, ainda tentando acalmar Eduard, disse-lhe:
_ O médico já está vindo e ele vai receitar alguma coisa para você dormir...
Lonthon, ainda descontrolado, o interrompeu abrupto e ruidoso:
_ Porra! Você não entende? Eu não posso dormir, eu não posso descansar... se eu dormir ele vai vir e me fará seu escravo. Você não entende porque é escravo como os outros...
Naquele interminável instante, que parecia ter sido retirado das páginas de Kafka, um médico carregando uma injeção se aproximou de Eduard, que se debatia nos braços dos dois enfermeiros, e lhe aplicou alguma espécie de sedativo. Quando Lonthon estava sendo levado, sem demonstrar a resistência de antes, viu seu reflexo em uma pequena superfície espelhada que ficava na parte posterior da sala, e disse entre o sono e o que lhe havia de desperto:
_Oh, não! Não pode ser... ele chegou e está ali me encarando... vocês estão vendo? Estão vendo ele ali? Ele está ali... e seus olhos estão em toda parte... não tem como fugir deste olhar maldito... não! Eu não quero... não quero me tornar escravo outra vez... não por favor, não deixem que ele me pegue... não! Não! Não!... Aagh, aagh, aagh. Logo após dizer estas palavras, entorpecidas pelo sedativo, Eduard, languidamente, adormeceu naqueles quatros braços que o carregavam para algum lugar, no tempo e no espaço, atrás da porta branca que se fechava para este mundo.

Fabiano Silmes

sábado, 1 de agosto de 2009




A atitude que não tomamos
A malícia que negamos
O pecado que não cometemos
As mentiras que contamos
São a lenha do fogo do inferno

O amigo que esquecemos
O dinheiro que não temos
A verdade que omitimos
Palavras duras que não dizemos
São a lenha do fogo do inferno

É lenha, lenha e mais lenha
As chamas crepitam sorrindo

O mal que não dividimos
A preguiça que sentimos
Projetos que não aprovamos
Caminhos que hoje seguimos
São lenha, lenha e mais lenha

As virtudes que cultivamos
O orgulho que não abolimos
As certezas que professamos
Os poemas que não escrevemos
As chamas crepitam sorrindo

Mais lenha ao fogo do inferno

Vamos dançar então um tango com o diabo
Sobre as cinzas de uma doce vida gauche
Pois a noite de sono
Com medo do inferno que pode ser a vida
Não perderemos

E não deitaremos atônitos sob os lençóis
Fingindo fé e adoecendo de esperança
Vamos jogar mais lenha na fogueira
E viver para eternizar o agora
Enaltecer a vida e não o fim

Pois ainda não é chegada a nossa hora

O Tempo



Não se desespere
Ao perceber que o tempo voa
E você
Nada.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Apreensão de livros causa apreensão

primeiramente queria agradecer a todas as manifestações de apoio recebidas no último mês. a todos que se manifestaram também peço desculpas pelo longo silêncio - além da minha tradicional lentidão com a internet soma-se a minha itinerância em locais não plugados no último mês e também ao meu direito a reflexão sobre o episódio para que as minhas palavras não nos fizessem perder o que temos de mais importante: a razão.

então segue abaixo o meu comentário sobre o (triste) episódio da apreensão de 16 exemplares do meu livro "Descaminhar".

---x---


"Personalidades autoritárias temem que a ameaça não venha das idéias, e sim da emoção. Quem está no poder nunca quer que nós tenhamos sentimentos. O pensamento pode ser controlado e manipulado, mas a emoção é obstinada e imprevisível. Artistas ameaçam a autoridade expondo mentiras e inspirando a paixão pela mudança. É por isso que quando tiranos assumem o poder, seus pelotões de fuzilamento miram no coração do escritor". (Robert McKee)

Para quem ainda não sabe o episódio:

Na Quinta-Feira, 02/07, estava trabalhando na FLIP, vendendo meu livro Descaminhar, no velho e prazeroso esquema de abordagem direta, olho no olho, mão em mão, quando fui alertado por um fiscal de que a FLIP havia solicitado à Prefeitura de Paraty que não permitisse que ninguém trabalhasse vendendo seus materiais na cidade, mesmo eu sendo um convidado da Off-Flip e mesmo o produto que eu estava ali divulgando sendo algo extremamente pertinente ao momento: um livro. No segundo momento, quando chamado por uma leitora que havia visto anteriormente o livro e estava interessada, fui novamente repreendido pelo fiscal que então tomou uma absurda atitude para o século XXI - Apreendeu os livros, escritos e produzidos por mim mesmo, dos quais eu sou único responsável e proprietario dos direitos autorais, sob o argumento de que eu estava "comercializando produtos sem autorização".

É importante ressaltar que eu em momento algum montei uma banca, uma barraca ou qualquer coisa do tipo - o que descaracterizaria qualquer dano patrimonial a cidade, desculpa oficial que surgiu dias depois da FLIP mas que sequer foi comentada durante a FLIP. Eu estava apenas divulgando de mão em mão, olho no olho, dentro do meu direito de ir e vir e de livre expressão artística. Eu não estava portando logotipo de nenhuma empresa, não estava vinculado a nenhuma instituição ou pessoa juridica e, portanto, esse ato não pode ser caracterizado como "ação comercial". A origem da poesia vem das ruas e praças, onde ela nasceu. No entanto, desde os tempos dos trovadores o artista precisa comer e ter onde dormir e, portanto, faz-se necessário dentro de um trabalho de divulgação a contrapartida financeira.

Diante de tal situação rumamos eu, Berimba de Jesus e Rodrigo Ciriaco para a Off-FLIP, que nos havia convidado, a fim de relatar o episódio. Quando conversamos com o Ovidio, ele nos informou que a FLIP já havia repreendido também algumas meninas que estavam divulgando folhetos da Off-FLIP e demonstrou grande preocupação com o fato. Na mesma tarde Rodrigo comunicou Marcelino Freire do ocorrido e nós também conversamos com a Lia, da Off-FLIP, que também se comprometeu a atuar no sentido de lutar pela liberação do nosso trabalho. Graças a um esforço conjunto de diversas pessoas, que procuraram a direção da FLIP e a imprensa, conseguimos finalmente chegar ao Sr. Didito, que nos informou "que a FLIP não queria ser caracterizada como um evento comercial, que não queriam que virasse uma feira." Explicamos a ele a natureza de nosso trabalho, que não estavamos montando barracas, o que descaracterizaria a "feira", que a literatura de rua é uma tradição antiga no Brasil, que mesmo Manuel Bandeira, homenageado da edição, editava e vendia os próprios livros e, após esta conversa, mesmo com relutância, ele acabou não apenas me autorizando a trabalhar, mas a todos os demais escritores de rua.

---xxx----

O caso é que tal apreensão gera a necessidade de uma reflexão mais ampla sobre o momento cultural que o Brasil vive. Um país que luta para estabelecer uma cultura de leitores não pode abdicar jamais do trabalho dos muitos autores que tomam as ruas para divulgar a literatura. Estas pessoas, de vidas dificeis e que lutam para sobreviver com um minimo de dignidade, dedicam suas mais nobres e vitais energias para ultrapassar as dificeis barreiras impostas entre um autor e seu público. Ninguém fica milionário com isso (muito pelo contrário) e, na verdade, a maior parte dos autores de rua trabalham de segunda a segunda, faça chuva ou faça sol, e ainda por cima sofrem com a pecha de "vagabundos" e com um preconceito cada vez maior, inclusive do meio literário. Como se fossem uma espécie de "sub-literatura". O que, na verdade, esconde um argumento implicito de que só é "boa literatura" aquela literatura que é chancelada pelos meios oficiais. Se você não passou por um crivo editorial, se não tem um respaldo acadêmico, você passa a ser tachado como um "artista menor".

Esse preconceito chancela atitudes autoritárias como a que ocorreu na FLIP, como se o autor que vende o seu livro na rua fosse um mero camelô, vendendo produtos contrabandeados sem recolhimento de impostos. Não é. Um autor que está divulgando sua obra tem um carater diferenciado por alguns motivos. Primeiro: é dono da obra em questão, seu único responsável e detentor dos direitos autorais. Segundo: seu "produto" foi produzido por ele, não foi tomado de ninguém e, portanto, é perfeitamente legítimo que ele possa comercializá-lo. Terceiro: o livro é um produto isento de tributação e, assim, quando ele faz sua venda olho-no-olho não está sonegando nenhum imposto. Quarto: a venda deste "produto" extremamente específico, de valor cultural, pode ser classificado como direito de expressão artística. Pois, quando o artista se depara com as MUITAS barreiras existentes entre ele e o público (que julgo desnecessário citar, pois creio que quase todos sabem das dificuldades de ser publicado e chegar às livrarias no Brasil), as vezes sua única saída é trabalhar com o relacionamento direto com o leitor. Ou seja, se um autor está na rua vendendo seus livros isto muitas vezes reflete uma falta de opções diante da sua necessidade de se expressar e ser lido. Pode-se até questionar eventualmente este caminho. Mas é indiscutível que é algo que deve ser respeitado.

Assim, vejo como necessário aproveitar esse momento para levarmos a uma reflexão, a fim de que se possa revalorizar esta difícil escola das ruas. Essa escola que olha no olho dos leitores, que percebe suas emoções refletidas nos olhos diante do livro, que masca pedras para cuspir flores. O público é também um validador possível para a literatura, não cabendo apenas aos meios tradicionais o poder de chancelar o que é ou não literatura. Até porque estes meios também são dinâmicos e o que antes era considerado bom pode amanhã ser ruim, ao sabor do gosto ou da teoria do momento. Assim, é legítimo legar ao leitor diretamente o direito de decidir o que lhe agrada ao não, independente de resenhas, indicações ou prêmios. Á Cesar o que é de Cesar.

Agora o que dizer a quem sustenta um evento que toma atitudes que deveriam ser sumariamente rechaçadas? Talvez que, assim, a FLIP NEM PARECE FESTA LITERÁRIA. Que NÃO FOI FEITA PARA VOCÊ e NEM ACREDITA NO MELHOR DO BRASIL. Enfim, é algo para se pensar.

Por favor, se você concordar com estas palavras, passe adiante. Não podemos nos calar diante disso.

Repercussões do Caso: (sabendo de mais alguma, me informe. dados by google)

http://www.ptostes.blogspot.com/
http://www.efeito-colateral.blogspot.com/
http://www.logorreia.com.br/
http://sobrecacosepontes.blogspot.com/
http://berimbadejesus.blogspot.com/
http://bethbraitalvim.blogspot.com/
http://flaviadurante.blogspot.com/
http://chacalog.zip.net/
http://photophophoka.livejournal.com/
http://outubro.blogspot.com/
http://otatubola.blogspot.com/
http://www.ube.org.br/lermais_materias.php?cd_materias=3271
http://www.marmitafilosofica.com/
http://www.ambrosia.com.br/ http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/07/07/cultura/poetas_de_rua_barrados_na_festa_dos_livros_em_paraty.asp http://mnocelli.blog.uol.com.br/
http://associaodosblogueirosdesocupados.blogspot.com/
http://lysminhalma.zip.net

Abraços e saud-ações a todos,
Pedro Tostes
ptostes@hotmail.com
http://www.ptostes.blogspot.com/

sexta-feira, 17 de julho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Não sei e nada sei, só sei que serei...

Eu procuro algo
Um algo que nem sequer sei para que
Nem onde
Nem porquê.
Sequer sei o que sei
Eu procuro um encaixe
Mas o que será isto?
Todos duvidam que eu ache
Pois eles também estão perdidos.

E eu procuro um encaixe.

Um lugar onde eu caiba
e que seja bem-vinda.
Que eu olhe a tudo
E veja um mundo de esplendor.
Que eu saiba
Abrir asportas
E descobrir a cor
Do amor.

Mas eu sou como todos
E como todos não venho a saber.

Só sei que um dia farei e verei.
Só sei que, como Sócrates, nada sei.


Lisa Stér Cöy.




domingo, 14 de junho de 2009

Meu Habitat

Corri firme pelos campos nevados das montanhas,
O céu era branco e pouco estrelado,
Árvores, pedras, rios e lagos... congelados,
Algo diferente havia em mim,
Sentia pelo corpo, sentia-me mais instintivo,
Eu mudei e buscava minha egrégora.

Notei cavernas escuras e geleiras imponentes,
Granizos caíam como estrelas pouco vívidas,
Na serenidade mortífera tudo era inóspito,
O frio e ventos incomodavam-me menos,
Minha aventura estava mais próxima do fim,
Abismos e cavernas agora eram meu território.

Vivi a edificante misantropia naquele lugar incrível,
Lá eu era livre de fardos da humanidade,
Em meu lar distante eu podia ser eu mesmo.
No alto da montanha observei o abismo,
E senti um poder interno crescente.

Rosnei e urrei, logo senti-me maior e poderoso,
Pesado e peludo, meus trajes sumiram,
Transformei-me em um grande urso polar.
Descansei em uma carverna escura,
Dormi entre meus parentes ursídeos.

Hibernei até a próxima estação, esperando por dias melhores.


- Mensageiro Obscuro.
Dezembro/2008.

Sunsetletters


Sunsetletters

Foi como cortar em laminas agudas as adormecidas e sofridas entranhas
Era como o olhar que caia sobre o gelo abraçando com todo amor apenas a amplidão que o tempo lhe oferecia solenemente: Cáustico frio

Era como ser traspassado por afiada lamina e admirar com antagonismo aquele misto de anjo & serpente
Uma cobra coral,animal divinal,um meio-rosto no cais, brindar em taça de ouro um caro veneno na companhia do Arauto da mágoa
encantador em meio á névoa

Não, não seria mesmo o recomeço D'algum retrocesso para o qual sabia-se ter preço e sentença
Bukowsky,Waits ou Whitman afrouxariam as irreais rédeas em seu pescoço
Ou os laços em sua mente,
sibilariam que:
Contradizer-se é apenas humano
Contradizer-se é o nó que trazes atado como atestado de tua existência
Contradizer-se é parte do ritual
Que te impele a escolher estradas ,duvidar caminhos,atirar-se ao fundo do lago com os olhos pungentes ou cerrados
sob o sol ou entre estrelas
Contradizer-se é parte do ritual
Que lhe faz render-se a insônia e compor estrofes catarses
Que lhe faz
Andar de mãos dadas com o invisível (quem quer que ele seja)
Tal como o amor que feriu,
Uma saudade indecente,
O amigo que partiu,
O filho que não veio,
flor na manhã de inverno,
beijo na forma de sopro,
Ou ultimo verso de uma canção em que não se recordam mais textura e melodia

Era como se fosse perder e ao mesmo tempo fazer renascer
a despedida de seus velhos ídolos e secretas canções entoadas na voz de um cúmplice- anjohumano

Eis que parte do poeta vê neste momento o destecer de uma encruzilhada
Um cálido poente sobre sonetos que são cinzas de cartas e sonhantes passagens!


Melian Cordéus/Exúvia Hannar
trilha:http://www.youtube.com/watch?v=ayrYIODq1cc Festival/Sigur ros

O 1º texto escrito após a partida da Srta Otavia Daiello
dedicado a ela
amiga
poetisa
maria filosofa
fã&Crítica honesta
Incentivadora.

sábado, 30 de maio de 2009

Ilha Cama


Aquela ilha era muito estranha
A começar que não era uma simples ilha,
Era uma ilha cama...
Na ilha havia apenas dois habitantes
ou seria dois dormintes?
Habitantes sem diálogo
Cheios de suas próprias entranhas...
Entranhas que crescem....
Cada um com a sua crescendo...
Eles dormiram e as entranhas continuaram a crescer...
As entranhas os mataram...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sua Hipnose

Consciente, inconsciente e subconsciente,
Ego, super-ego e id, minhas facetas.
Sua hipnose tomou minha mente,
Ela tentou me invadir, firme...

Armadilhas e prisão, ela me queria,
Minha pineal latejava intensa,
Sedutora... a moça adentrava,
Degustava parte de mim.

Quis ludibriar minha cabeça,
Com seus comandos e ousadia.
Em meu abismo pessoal
As regras são minhas.

A invasora observou a fenda colossal,
Perguntava a si mesma se saltaria
Na escuridão do meu abismo
Para desvendar mistérios e segredos.

Abracei-a forte e de surpresa
Evitando que se atirasse.
Eu a expulsei mas antes
Apreciei seus lábios carnudos.

Meu abismo pessoal é só meu, ninguém entra além de mim.


- Mensageiro Obscuro.
Maio/2009.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Blog A Corja citado em site do Artista Plástico João Werner

O nosso genial, maldito e inspirado A Corja foi citado numa relação de blogs no site do artista plástico João Werner, nos quais se utilisaram das suas belíssimas pinturas para ilustrarem os seus ensaios. Confiram a matéria:

sábado, 16 de maio de 2009



Tanta coisa boa anda por aí na cultura.
Meus anos de vida parecem não dar conta de tudo.
Por isso abro mão de algumas coisas por outras.

Não leio Paulo Coelho.
Uma página lida de Paulo Coelho pode representar uma não lida de leon Tolstoy ou Rubem Alves.

Eu não vi Dois Filhos de Francisco.
Prefiro rever Laranja Mecânica.

Big Brother? Você tá de sacanagem?

Não me entenda mal, é só uma questão de tempo.
Você já parou para pensar quantas coisas te fazem perder tempo?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Insensibilidade

Eles não sentem a dor dos animais e plantas,
Boa parte deles são vazios e inconseqüentes,
São monstros destrutivos e egocêntricos,
Tudo é sacrifício para sua deusa de matança,

O sabor das almas humanas costuma amargar,
Eles não percebem seus erros e culpa,
O templo da mediocridade elegeu seu avatar,
Choro em desespero pelo fim próximo.

Seres dóceis ao nascer,
Doentios ao crescer,
Inimigos da essência que dá vida,
Podres em vida
Ainda insensíveis ao morrer.

Párias débeis destruidoras da Natureza.
Empalada e esquartejada seja sua deusa
A mediocridade cultuada,
Quando os poucos conscientes
Forem muitos evoluiremos.

Quero o fim da calamidade,
Não suporto tanta dor,
A carnificina que os consumirá
Devorará o planeta.
Minha mãe Natureza morre lentamente
Abandonada por meus irmãos.


- Mensageiro Obscuro.
Agosto/2007.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Enfrentamentos


expansões&Contrações do pensamento&enfrentamentos

CARTA PARA CÉSAR
Sempre há monstros ,
tecidos em nosso organismo.
Por dentro somos todos cheios de sangue,
De vermes,
de sobras.
Por fora,
as vezes somos mais sobras e vermes ainda
Embora uma harmonia assiste e insiste
de vontade de nós mesmos.
De trazer à tona um Deus ou um Demônio,
que não é ruim por ser demônio,
mas que é liberdade,
frente a um Deus-demônio que escraviza,
Por dentro essa harmonia que ordena nossas tripas-coração,
nossas art(érias),
onde a arte nega a ciência,
Pa(ciência).
Cons(ciência) ,
remédios me mordam
e retomam minhas noções
Precauções eu tenho: de não ser hipócrita.
Mas como ?
Assisto este duelo todos os dias.
E não tem um só dia que eu não seja
honesto e hipócrita.
A questão é o que está mais catalogado?
Enquanto isso minhas veias pulsam,
com uma lógica interna que quer vazar.
Com arte ou paciência?
recusar
aceitar

como vazar?

É um vão.
Um canto apenas.
De cantar,
e de cantinho.
É um ninho.



É uma fenda,
que brota
que tenta
Que vaza no cotidiano.


O poeta é alguém que foge,
mas só vale se deixar rastros,
fendas,
onde outros possam vazar!

Maurinho Célio
Professor,poeta,autor,amigo&militante e modelo no click do pier.

domingo, 10 de maio de 2009

Mal criada


Mal criada


Faço poemas com o cérebros
Não podia ser diferentes
Penso que escrevo versos conscientes
Desses miolos nasce a poesia do inconscientes

Faço poemas com o cérebro
Não podia ser diferente
Penso que escrevo versos consciente
Desses miolos nasce a poesia do inconsciente

Faço poemas
Não podia
Penso
a poesia do inconsciente

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ironia Conjunta

Que mal seria embaralhada
Tampouco sôfrega
Do remorso esmiuçado
E das memórias lúbricas.

Então, ao pedido de resposta
Abaixa a cabeça
Tua mão funde em minhas costas
Abre os olhos num ato veemente e sedutor
Minhas pupilas se dilatam
Abre um sorriso leve
Frio
Tímido
Que ironia

Como opostos que não vivem separados
Como Lua e Sol
Dia e noite
Treva e luz

Como Vestida e nua
Carinho e açoite
Tridente e cruz

Como não vivem sós
Coração e sangue
Somos nós.

(26-27-28-29/04/09)

Lisa Stér Cöy
www.lisastercoy.blogspot.com
www.acorjavirtual.blogspot.com
www.poesiaeternizada.blogspot.com

sexta-feira, 17 de abril de 2009

VIVA AOS COMPANHEIROS!


sábado, 11 de abril de 2009

Televalsa-Pseudotrilha

A criança sou eu!
Escolhida para crescer,
mas ainda pulsante a sua dependência.

Plutão é implacável
Senhor Saturno bem que avisou
e Cronos ri, cabisbaixo e silencioso.

Uma criança que DEVE morrer,
e a culpa é minha - nossa.
Um adulto que é FORÇADO a nascer,
e a razão é nossa - minha.
Uma vida leviana, uma trajetória insegura,
e a Lei Humana assim se aplica - vossa.

Duas áreas divididas,
a mente fria e lógica, o coração quente e materno
e a confusão é minha - vossa.
Duas fases do Homem
E a adultação é vossa, a criança é nossa.
A dor no corpo, a falta de ar, a ambientação do fim-de-vida é minha.

Fossa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A Morte Alegre



O caixão era preto.

O cemitério era branco e cheio de árvores como a maioria dos cemitérios.

O morto estava pálido e com cara de quem morreu triste.

O morto tinha cara de infeliz.

Todos choravam como em qualquer interro.

Mas havia uma diferença naquele interro.

Um sorriso sinico nos lábios da viúva...

Para a viúva era uma morte alegre...

Desejos e Desatinos

Ah! Essa tez alva, mas que nunca há de me enganar
Pois tuas deliciosas curvas são mesmo como as de uma cabrocha
E ao me imaginar, entrevendo-as numa penumbra sensual como a de um luar
Eis que como a mais bela rosa, no orvalho primaveril, só para mim, deslumbrantemente, você desabrocha.
Gosto de entrever-te, despida e quase nua
E na carícia dos momentos silenciosos,
Repletos de ânsias e gemidos, de suor e suspiros nervosos,
Te possuir ultrapassa os limites da vontade
É desejo, tesão, lascívia, libertinagem, por oras até insanidade.
Uma envolvente e estranha nebulosa me cerca,
Me abraça e me alucina
E põe em minha boca um gosto de desejo,
Que me excita, e, cada vez mais,
Me entorpece e desatina
Sim! Te ter, foder, trepar, transar
Não! Isso seria pouco, não contigo.
Tens mais fogo, mais sensualidade
E és tão grandiosa que te possuir só me remete a uma única palavra:
Profanar!
Ah sim, contigo eu seria profano, desrespeitando limites mundanos comuns, seria devasso,
O que nossos corpos e mentes imaginassem,
Qualquer coisa pra tornar este momento muito mais do que único
E também não só memorável, pois memórias se perdem ou se apagam
Seria mais que isso
Para nós, só haveria de ser uma única coisa simplesmente
Seria inefável, e ainda mais
Como tudo o que jamais poderá ser apagado,
Para nós seria indelével.

sábado, 4 de abril de 2009

Sonho inacabado

Sentei na cama, ajeitei os lençóis e deitei minha cabeça no travesseiro que, por ventura, tinha um leve cheiro de mofo misturado com perfume de meu cabelo. Estava de viagem, na casa tudo estava guardado e sem uso a um ano, fato que deixou o odor desagradável tomar conta de tudo.
Desligaram as luzes, logo a minha também. Virei os olhos ao teto e chorei. Podia ouvir gotas de chuva ao bater no telhado, fortes, e ficava imaginando elas escorrendo das nuvens assim como minhas lagrimas o faziam ao entrar em contato com os lençóis. Faziam uma trilha, mapas de rios no canto de meus olhos, estes rios que nasciam do amor e desembocavam nas maiores profundezas de viv’alma solitária. No momento era eu.
Fechei os olhos. Por instante te vi à porta. Era ti mesmo? Fixei as pupilas como quem não acreditava. Pôs a mão na maçaneta e fechou a porta. Vagou lentamente até o pé da cama, quando sentou-se e perguntou: “Você me ama?”. O som da questão soou por meus tímpanos com ondas que se transmutaram em outra pergunta: “Você me quer?”. Eu disse sim. Repeti e repeti novamente. Eu continuei deitada ali enquanto o via tocar meu pé, logo minha panturrilha, minha coxa, então me tomara por inteiro.

Tudo ao redor era preto e branco
Diferentes cinzas em nuance
Mas tu eras diferente
Havia algo belo em você
Tu eras reluzente vermelho
Reluzente tão cintilante
Refletindo tão belo romance
Ao toque doce de nossos semblantes
Como se houvesse em minh’alma um espelho
Que rodeado de diamantes
Sobre ti, só me ajoelho,
Pedindo que sejamos amantes.

Você era meu cobertor, meu travesseiro, minha cama, minhas lágrimas.

Tudo era esmaltado em amor,
Rodeado por teu calor
Que, bem quente
Fazia da minha dor
Suave perfume em vapor.

Quando uma forte luz quase fere meus olhos. Abri-os. Já era dia e os raios de sol entravam janela adentro. Tudo estava claro, nada mais era preto e branco. Então percebo que você não era mais meu travesseiro, sequer o cobertor ou a cama. Embaixo de mim havia apenas um lençol molhado, salgado. Você fora, a ilusão fora. Nada passara de um sonho inacabado.

Lisa Stér Cöy
.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Aventura Fantasma

A madrugada era gélida e calada,
Revelava flores e folhas secas,
E poeira e parafina queimada.
Chegaram meus companheiros,
E acordamos do sono contínuo.

Saímos eufóricos de nossos túmulos
Éramos sombras entre névoas,
Invadimos o sarau dos vivos.
Filósofos, escritores, músicos
E góticos foram os anfitriões.

O sarau foi em nosso mausoléu,
A alegria das artes nos seduziu.
Dois bailes paralelos seguiam
Em uma só realidade!

A interseção de vivos e mortos
Criou nossa aventura fantasma.
Ossos e cinzas dormem enquanto
A mortalha será nossa bandeira.


- Mensageiro Obscuro.
Maio/2008.

http://www.abismo-do-obscuro.blogspot.com

Marcha Funérea

O cortejo suave de quem chorou
Extinguiu-se em cor mortal.
A mortalha longa tremulou,
Tornou-se capa espectral.
Esgueiro-me entre lápides,
Vestido em tecidos mortuários,
Sugando o calor de vários,
Má notícia em tablóides.

Pele cianótica, inerte carcaça,
Nesse baile de máscaras,
Somente vida pútrida e escassa.
Só esquecimento, vida etérea,
Ofereçam-me vinho e uma taça
Para brindar essa marcha funérea.


- Mensageiro Obscuro.
Outubro/2008.

http://www.abismo-do-obscuro.blogspot.com

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O DINHEIRO


Você já imaginou o mundo sem dinheiro?
Não haveria mais as putas, Elas só são putas pelo dinheiro.
Não haveria mais deputados ou vereadores, A motivação deles também é o dinheiro.
Você já imaginou o mundo sem dinheiro?
Os casamentos não acabariam, O principal conflito do casamento é o dinheiro.
Filhos não desejariam a morte de seus pais, O dinheiro é o alvo da herança.
Você já imaginou o mundo sem dinheiro?
Se imaginou, imaginou errado,
Seria melhor imaginar o mundo sem o ser humano
Animais não se prostitui, só seres humanos...

terça-feira, 24 de março de 2009

Um poema com 05 anos de vida



Estrela da Manhã

Eu sou um mundo em dissipação.
Foguetes no céu de um Ano Novo que morre constantemente,
sou a celebração do fim adiado.
Vinde, irmãos, que lhes trago boas novas.

Há os que procuram o fio da navalha, o sorriso dos indiferentes.
Há os que, num momento de fúria, procuram pactuar com o profano
e derrubar portas.
Buscadores, ouvi-me.
Quero ser o general deste exército de descontentes.
Quero estar com aqueles que fazem versos sobre o que é estar vivo.
Morrer é para os fracos. Morrer é ser irresponsável.
Há os que morrerão olhando as sombras na parede das cavernas.
Meu exército irá dançar sob o sol
sobre areia e grama.
Há os que irão ser enterrados com suas pedras e cordões.
Dexai os tolos em suas tumbas.
Viveremos todos os dias como se fossem os últimos
e teremos fome e sede de justiça,
mas nunca de pão.

Vinde, ó sonhadores!
Já se faz tarde o amanhã do mundo.

Sou a festa, a Estrela da Manhã, a negação e o poder.
Acordai, pois, o que há em mim dentro de vós.
O poderoso sedutor, o Messias, o boêmio, o pai, o professor,
todas estas máscaras que vos causam espanto são meu reino.
Moro nas entranhas de vossas almas e todos vós me pertenceis.

Empunhai as bandeiras da verdade diante da hipocrisia;
Perguntai a todos o que é o mais importante;
Cantai a todo instante a beleza do Canto;
Semeai as almas com o Canto.
Em segredo, já estais seguindo meus mandamentos.

A mesa está posta com o melhor vinho, poetas.
Regozijai-vos.
Ide e espalhai a boa nova: O Inferno também morreu.
Somos todos responsáveis por nossos erros para sempre.
E não sede iludidos pela solidão. Somos agora mesmo, um exército.

Eu sou a vitória de vosso sonho.
Batei à minha porta para verdadeira Grande Marcha.

(Henrique Santos)

domingo, 22 de março de 2009

Ordem e Progresso...



Sete horas, acordo do meu sono. Ligo o rádio e começa a ordem...
...Oito e meia, saio apressado para o trabalho, estou um pouco atrasado, mais antes de pegar o ônibus, ainda dá tempo de me render à ordem da banca de jornal...
...Vibro com a mão de obra barata esquartejada e ensopada de sangue na primeira página. Vejo também a seleção que ganhou mais alguns milhões de dólares na Europa, acredito que isso é progresso...
...Dez horas, chego ao trabalho. Apressado. Ligo o computador. Logo aparece o Windows, que é a ferramenta perfeita para me manter sob a ordem todo o meu dia...
...treze horas. Saio para almoçar, bastam 20 minutos para que seja vencido e dominado pelo Mc Nojeira. Dizem que é seguro...
...Algumas horas se passaram. Já são dezesseis horas, eu estou domesticado pela Internet... Sem perceber, esse é o meio mais eficaz de me manter em ordem, pior, eu acredito que é progresso...
...Dezenove horas, sem perceber, estou atado e vencido por Fernando Henrique, Saint Simon, Jk, todos me mantendo em ordem e eu achando que a faculdade é um progresso. Isso vai até às vinte e três horas. O tempo é curto, ficou para me alienar e dominar amanhã; Constantino, Fattini e Polux...
...Zero hora, chego a casa, estou muito cansado, vou direto para a cama, não dá tempo de pegar o controle remoto da TV. Senão, seria fácil mente mantido em ordem pelos convidados daquele gordo preguiçoso e burguês que a ordem me obriga pensar que é intelectual.
Quem sou eu? Mais um escravo da ordem que pensa que faz parte do progresso.

O Globalizado Solitário


Século 21; faço parte desse universo, Talvez complexo, porem fascinante...
...Fascinante seria se não observasse minha solidão.
Século 21, eu ando na minha bicicleta de um lugar só e sem bagageiro.
Ando com meu mp3 no ouvido, seleciono as músicas que só eu vou ouvir.
Ando entre os carros entretido com as músicas... Há essas músicas!
Músicas que me tiram à atenção daquela rosa bela no muro da casa amarela.
Casa amarela que eu nem vi a cor dela.
Eu nem percebo a garota chorando por atenção na janela.
Músicas essa que me tiram à atenção.
Não percebo o garoto de belo coração.
Que chora ao ver um homem pegar no lixo restos de comida com a mão.
Músicas que não me deixam ver o quanto sou egoísta.
Egoísta por não perceber que o fraco precisa do artista.
Egoísta por não entender que preciso ser menos egoísta e não artista.
Há mundo globalizado, que não me deixa ver o belo no detalhe,
Globalizado que me torna um solitário.